Mourão é aplaudido de pé enquanto falas sobre Bolsonaro geram risos em Harvard

Aplaudido mais de 10 vezes, duas delas de pé, o vice-presidente Hamilton Mourão disse neste domingo que o presidente Jair Bolsonaro é “criticado e muitas vezes tão pouco compreendido” e afirmou que, “talvez, pela minha personalidade, escolheria outras pessoas para trabalhar comigo”, quando questionado sobre o que faria de diferente se fosse, ele próprio, o presidente do Brasil.

O comentário sobre a incompreensão de Bolsonaro gerou risos na plateia, formada principalmente por estudantes da Harvard e do MIT e por empresários que participam de conferência sobre o Brasil nos EUA neste fim de semana. A audiência reagiu da mesma forma quando o vice-presidente disse que poderia escolher um gabinete distinto do de Bolsonaro.

Alvo de críticas de parte da base de Bolsonaro por supostamente criar um antagonismo em relação ao presidente – o que Mourão negou veementemente a jornalistas neste sábado -, o general disse que a meta de Bolsonaro é “mudar o futuro”.

“Para Bolsonaro, mudar o futuro é a suprema arte de um governo. A visão do presidente é muito clara, ele está trabalhando para as próximas gerações, e não para as próximas eleições.”

Diante da plateia lotada, Mourão repetiu que sua parceria com o presidente é “total”.

“A gente discute, a gente debate as ideias, mas, quando ele toma a decisão, estou com a decisão dele 100%.”

Foi novamente aplaudido.

‘Ditadura nunca mais’
A plateia se levantou duas vezes para bater palmas. A primeira foi após a resposta do vice-presidente a um professor de Harvard que questionou a presença de militares no governo.

Hoje, o gabinete de ministros de Bolsonaro conta com 7 pessoas com carreira nas Forças Armadas.

“O senhor não teme que a associação das forças armadas, que são uma instituição permanente do Estado brasileiro, com um governo, que é algo necessariamente temporário, pode corroer a legitimidade e a unidade das Forças Armadas? Por que a lição que o general Geisel aprendeu não se aplica ao senhor?”, questionou o professor e cientista político Fernando Bizzarro.

“O Geisel não foi eleito. Eu fui”, respondeu o vice, gerando comoção na plateia.

À fala se seguiu um grito de um homem nos fundos do auditório: “Ditadura nunca mais!”.

Ele foi imediatamente expulso por seguranças da universidade.

O segundo momento de aplausos de pé foi o encerramento da fala do vice-presidente, que segue neste domingo para Washington, onde se encontra nesta segunda com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, entre outros compromissos.

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